AS VENTURAS E DESVENTURAS DE UMA MINEIRINHA NAS TERRAS DE CABRAL

Sejam vem-vindos! Mi casa, su casa.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Edição 10 - 13/01/10

Caríssimos Amigos,

Sejam muito bem-vindos ao Diário de Bordo da Elis, esse relato atômico do meu olhar atento sobre as terras lusitanas. Bem, passados os momentos de festas, brindes, simpatias, promessas, desmaios e outras emoções próprias do período, 2010 chegou com toda a força por aqui, já que janeiro em Lisboa está longe de ser período de férias. Ainda tenho muitas coisas a contar sobre as últimas semanas, mas prometo fazer isso aos poucos, para não cansar a beleza de vossas excelências:

Lingua
Ai, ai....esse continua sendo um capítulo à parte na experiência com os portugueses. Acho que nunca vou deixar de me surpreender. Se eu achava o povo de Lisboa cheio de sotaque, então no Algarve fiquei impressionada. Que língua é aquela, meu Deus?? E o inglês então que se fala lá, pra agradar aos turistas britânicos, nossa, é de chorar. Aliás, o Algarve é tão inglês, que estão querendo mudar o nome para “all-garve”, ou seja, se all é tudo, passa a ser tudo garve. Existe mesmo a polêmica. Ka entre nós, a mim isso soa extremamente pedante...
Para pedir por favor, os tugas dizem: “se faz favor!” Isso mesmo, estranho que só vendo. A frase fica assim: “se faz favor de dar licença”
O adjetivo “engraçado” aqui pode ser sinônimo de bonito, legal, bacana. Eles dizem assim: “outro dia fui a um sítio muito engraçado”. Na verdade a pessoa quer dizer que foi a um lugar bonito. Até entender isso, pensava que eles tinham um super senso de humor...Ahahahahah...”que engraçado!”
Aliás, sítio aqui não é casa no campo não, é lugar, qualquer lugar. E se o lugar for legal, pode-se dizer que o sítio é “muita bom”. Gente, eu sei que a concordância tá errada, mas é uma gíria e eles acham giro (legal) falar assim. Muita bom é mais do que muito bom. É bom demais....(risos) Entenderam?
Povo de Meu Deus, é difícil admitir, mas vamos à verdade dos fatos: aprendi a falar “pois” e essa porcaria de interjeição agora me persegue. A expressão é exatamente o mesmo que o nosso “pois é”. Já pensaram quantas vezes dizemos isso ao dia? Pois, agora só falo pois....tá difícil manter o purismo do nosso português brasileiro, ora bolas.


Gafes na Alemanha
Olha, tem um causos da viagem da Alemanha que eu tenho que contar. O mais triste foi o meu equívoco com o nome da cidade que tão bem me acolheu. Na hora de escrever aos amigos do Facebook, eu digitei Karlrshure ou invés de Karlsruhe. Uma simples troca de letras que sequer seria notada se não fosse por um pequeno detalhe de tradução. É que “ruhe” em alemão significa paz e a cidade foi criada para ser o local de paz do Sr. Karls, o grande fundador de tudo. Por outro lado, “hure”, em inglês, significa prostituta. Resultado: meus novos amigos alemães leram a mensagem e ficaram tristes comigo. Disseram que eu não podia transformar a “paz do Karls” nas “putas do Karls”. Afinal, de pacificador eu havia promovido o homem a cafetão. Ai que vergonha...logo com os alemães, que são tão corretos em tudo que fazem...ui, ui, ui.
Bem, outra mancada foi com relação aos Pretzels. Trata-se de um pão tipicamente alemão, delicioso. Bem, como eu estava à vontade, um dia de manhã, esquentei no microondas um pretzel com queijo e presunto dentro. Notei que todos me olharam espantados mas ninguém disse nada. Mais tarde fui descobrir que o pretzel é um pão super especial e nobre e que não é feito pra fazer sanduíche, muito menos aquecidos no microondas. Acho que paguei de americana fast food na frente dos meus amigos germânicos...hihihi
Outra cena engraçada foi que uma manhã eu vi uma bandeira alemã num jardim de uma casa e corri pra tirar foto, porque achei legal. Bem, a Imke, minha amiga, me fez prometer que não ia mostrar a foto pra ninguém e queria saber a todo custo quem era o idiota que tinha colocado uma bandeira em pleno quintal. Acho que os alemães não são muito nacionalistas não...eles acham isso uma breguice total!
No dia que fomos à estação de esqui, o carro da família Krûger amanheceu com uma camada de gelo por cima. Fiquei tão empolgada em arrancar o gelo que o pai da Imke me deu de presente uma espátula especial, com luva embutida, para tirar gelo. Adorei. Agora quando o meu freezer congelar aí no Brasil, nunca mais vou retirar o excesso de gelo com a colher! KKKKKKKKKK. Pobre é triste...quem me dera ter uma nevezinha pra raspar...
Uma noite eu e Imke fomos a uma boate chamada “Le Club Carambolage”. Um lugar maluco, cheio de elementos de decoração diferentes, combinados de uma maneira meio over. Bem, fiquei observando a música, pra ver o que os alemães curtem. Aí, eis que no meio de várias músicas britânicas, italianas e alemãs, começou a tocar Kaoma. Gente, eu falei Kaoma, aquela mulher que fazia lambada aí no Brasil há uns 15 anos..A música era ”chorando se foi, quem um dia só me fez chorar....”. O pior de tudo foi a minha reação. Fiquei tão emocionada de ouvir música brasileira em plena Alemanha que comecei a dançar lambada sozinha e a repetir: “Brazílian music! Brazilian music!”. Nossa, foi um mico total.


Diversão
Gente, nunca pensei que conseguiria manter tão vivo o meu amor ao samba aqui em Lisboa. Domingo virou agora o dia oficial de usar o anel de bamba. Pego meu pandeiro e vou ao Bairro Alto encontrar o grupo de brasileiros que eu conheci aqui e que tocam lá nesse dia. Além de batucar a noite toda, às vezes eles me chamam pra cantar no microfone. Me sinto a própria Marron!!!! Kkkkkkkkkk. Dá-lhe Brasil!
Outro recanto muito nosso por aqui é o Bar do Joãozinho. Trata-se de um brasileiro sangue bom, que tem um botequinho muito bem localizado. Fica na Praça dos Restauradores, ao lado de monstros como o Hard rock Café e alguns bons restaurantes. Bom, lá no Joãozinho, além da cerveja ser bem mais barata e ter vários petiscos brasileiros, também se pode praticar em paz o bom e velho português do Brasil.
Outro lugar que virou referência aqui foi um bar chamado “Number Two”. É que lá tem uns coquetéis típicos da ilha da Madeira, chamados “ponchas”, que são uma delícia. Tem uma feita com absinto que é um pecado! Além disso, a música é ótima e o ambiente é muito agradável e animado. Recomendo.

Coisas de Elis
Como vocês já sabem, a Luna, minha labradora fofinha, está ótima. Tem ido pra Serra do Cipó com a nova mãe, a Cris, que também a leva para correr na Lagoa da Pampulha. Esses dias a Cris colocou a Luna em frente ao computador, pra falar comigo no Skype. Ela reconheceu minha voz na hora, mas não conseguiu me identificar dentro do vídeo. Ficava cheirando o monitor, pulando e abanando o rabo loucamente. Do lado de cá eu parecia uma maluca, gritando, chamando, sorrindo e chorando sozinha, à espera de um sinal de reconhecimento da minha maternidade perdida. Mãe é quem cria né?
Quem já foi à minha casa na Serra sabe do meu caso de amor com a caneca da Girafa. O famoso copinho foi um presente de uma amiga muito especial, a Alê e se tornou quase um talismã, a me acompanhar sempre, por todos os cômodos da casa. Bem, a girafa agora já tem uma substituta lusitana. É que comentei com a Fernanda que gostava de canecas e ela me deu uma de presente, linda, rosa, de louça, cheia de mensagens de amizade. Agora já tenho uma nova companheira de gólos, também dada por uma amiga, que vai voltar pro Brasil comigo, pra guardar pra sempre os bons tempos em sítios lusitanos.

Sem mais delongas, para além das várias linhas pelas quais já me delonguei, deixo-lhes um abraço cheio de saudades. Tem sido estranho perceber a força da distância física! Antes de vir pra cá, eu podia até ficar um mês sem ver alguns de vocês, porque sabia que estavam perto e acessíveis. Mas agora que tem um oceano entre nós, cada dia longe é um desafio, que só consigo transpor porque sei que é temporário e porque tenho conseguido compartilhar minhas experiências com vocês por meio desse diário.

Fiquem todos com Deus. Vamos rezar às vítimas do terremoto no Haiti, que nesse momento precisam, e muito, da intervenção Divina.

Beijoss


Elis