AS VENTURAS E DESVENTURAS DE UMA MINEIRINHA NAS TERRAS DE CABRAL

Sejam vem-vindos! Mi casa, su casa.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Edição 11 - 24/01/2010

Estimados amigos,

Sejam muito bem-vindos ao Diário de Bordo da Elis. Para os que acharam que eu tinha desistido do papel de infante relatora das descobertas lusitanas, informo que o atraso no envio dessa edição se deveu uma certa desorganização de minha parte na semana que passou, coisa que acontece nas melhores famílias de navegadores....Não obstante o obstáculo, retomado o ritmo e alinhada a bússola, avante em direção ao novo!


Língua
Sabe aquelas expressões de intensidade tipo “pra caramba” e outras do mesmo gênero (mais pesadas...rsrs) que usamos? Aqui é “pra caneco” ou “pra caraças”. Esse último soa tão estranho, aliás, o português daqui é esquisito pra caraças!
Desculpe lá...essa expressão é uma maneira de começar um papo, tipo: “desculpe lá, sabes como chego à estação do metro?” Também serve pra dizer: “calma lá meu amigo”....
Gente, os nomes dos filmes e seriados de TV aqui são hilários...isso porque eles traduzem tudo, então Lost vira “Perdidos” e Sex and the City vira “o Sexo e a Cidade”. Literais, né? Mas, o pior pra mim foi “Robin dos bosques”, um atentado contra o clássico “Robin Hood”!!!
O mais engraçado de tudo é que eles acham piada o fato dos espanhóis fazerem isso. Aliás um amigo me contou que os espanhóis são ainda piores e traduzem até nome de banda. Assim na Espanha, U2 é “U Dos” e The Doors é “Lãs Puertas”. Quem agüenta??

Lugares
Semana passada eu visitei o Oceanário aqui de Lisboa. Fiquei encantada. Eles têm um aquário central redondo gigante, com vários metros de altura e de diâmetro, com peixes raros e selvagens, dentre os quais vários tubarões e arraias. Ao redor desse aquário se distribuem várias salas com a fauna marinha típica dos diversos oceanos, desde os gelados como o ártico e o antártico até os tropicais como o atlântico e o pacífico. Tem um casal de pequenas lontras marinhas lá que são uma atração à parte.
Há uma cidade próxima de Lisboa que se chama Queluz. Tive a oportunidade de conhecer o Castelo de lá, que abrigou a família de Dom Pedro I e fiquei encantada com o luxo das salas, dos lustres, dos móveis e da louça e prataria, que estão conservadíssimos. O jardim externo é um verdadeiro labirinto e tem um pequeno rio correndo ao fundo e aqueles pinheiros e árvores européias de clima frio maravilhosos.
Nessa mesma tarde voltei à Sintra, que é a cidade mais linda que conheci aqui em Portugal até o momento. Desta vez, fomos conhecer o Castelo da Pena, um mosteiro do século XVI que foi adaptado para ser a casa de campo de Dom Fernando, um nobre militar português do século XIX, muito garboso. Tem salas com decoração indiana e também oriental, com muitas peças de arte, louças chinesas caríssimas e muitos quadros com as imagens dos reis e rainhas que ali frenquentaram. Pura cultura!

Viagem
Gente, finalmente vou realizar um antigo sonho: de 3 a 8 março vou viajar a Londres, conhecer a capital da Inglaterra com direito a todas as visitas aos pontos turísticos mais importantes. Vou ficar na casa de amigos do meu amigo de doutoramento, Bernardo, e assim vou poder absorver a cultura local sem correr o risco de me perder ou passar apertos nas ruas inglesas...kkkkkkkkkkkkkkkkkk...E o melhor: o vôo de ida e volta me custou 57 euros pela Easy Jet. Uma pechincha! Com 120 reais aí no Brasil, só se voa pegando uma promoção da Gol e pra um lugar bem pertinho né?

Música
Bem, quem me conhece sabe que a música está no meu sangue. Eu adoro e estou mesmo disposta a conhecer um pouco mais da cultura musical portuguesa. Já comprei cd’s de artistas importantes daqui, que eu tenho gostado de ouvir: Heróis do Mar, Xutos e Pontapés e Rui Velloso. Além disso, comprei CDs de música cubana (Compay Segundo) e africana (uma coletânea com músicas do Kênia, Unganda, Angola, etc). Claro que comprei também uma coletânea de bossa-nova e música popular brasileira, porque fiquei curiosíssima em conhecer o conceito deles acerca do samba e de suas variações. Bom, na verdade tem muito Baden Powell e outros compositores e instrumentistas internacionais que dão às nossas músicas versões bem estrangeiras. É no mínimo interessante.
Aliás, por falar em música, aqui também tem umas pérolas de besteirol que são imperdíveis. Uns cantores cômicos bregas, que fazem um estilo meio falcão, meio tiririca, meio música sertaneja. Quem tiver curiosidade, pode jogar no you tube o nome de duas figuras engraçadíssimas daqui: Quim Barreiros e Tony Carreira. Tem uma música que inclusive foi plagiada aí do Brasil, que é aquela sertaneja baranga que fala da garagem da vizinha. Ahahahahahahhahah........

Por fim, como os pais da Fernanda estavam passeando por aqui, tivemos a oportunidade de ir todos a um jantar, numa Casa de fados. Para quem não sabe, o fado é o ritmo musical português mais tradicional de todos. São músicas lentas, cantadas com muita emoção, com histórias de amor, de belezas naturais, de descobertas e recordações. Bom, pode até não ser um ritmo pra se ouvir todos os dias, porque é um tanto melancólica e clássica, mas vale muito a pena ir a uma apresentação, como eu fui. Durante o jantar, acontecem várias intervenções, com fadistas que se revezam a fazer solos junto com violões e violas muito bem tocados. As vozes são lindas e a música tem muito sentimento. Fiquei mesmo emocionada e no dia seguinte escrevi uma mensagem no meu Facebook que eu queria utilizar para terminar essa edição:

“Ontem fui a uma casa de Fados aqui em Lisboa...finalmente entendi a magia da cidade que mantém a harmonia entre o moderno e o histórico e que se revisita todos os dias...senti o lirismo que está escondido em cada rua, em cada beco, em cada casa. Hoje acordei diferente...me senti lisboeta...hoje senti a alma que pulsa em Lisboa, a cidade da saudade, onde as lágrimas brotam do encontro do Tejo com o mar.”

Beijos com saudades

Elis