Caros amigos,
Sejam todos muito bem-vindos ao Diário de Bordo da Elis. Esta edição é especialmente dedicada à cidade do Porto, que tive a grata oportunidade de conhecer no último final de semana. Como se vê, cada viagem é uma história, cada história é uma experiência e cada experiência se traduz em muitas risadas, muito aprendizado e em novos e eternos registros na memória do coração!
Viagem
Se eu precisava de um motivo pra ir ao Porto, o aniversário de minha amiga Anita veio mesmo a calhar. Ela dividiu o AP comigo durante um mês aqui em Lisboa e depois se mudou pro Porto, pra trabalhar por lá. Até então só sabia que a cidade ficava bem ao norte de Portugal e, como o nome indica, era banhada pelo mar.
A viagem em si já foi o máximo. Fui de trem, ou comboio, como chamam aqui. Três horas de uma viagem confortável, admirando as paisagens portuguesas. Vi imensas planícies, com campos muito verdes, muitas várzeas, casas antigas, fazendas, plantações, criação de gado e de ovelhas. Exatamente como está concebido no nosso imaginário.
O comboio é bem moderno e parou numas 10 cidades ou vilas antes de chegar ao Porto. A que mais gostei foi Vila Nova de Gaia, que pude conhecer um pouco, já que faz divisa com o Porto.
Cidade
Pequena, porém grande, grandiosa!!! Dá pra entender? É exatamente assim que o Porto é. Bem menor do que Lisboa, mas é a segunda maior cidade de Portugal e é grandiosa em cultura, em arte e em história. Ao contrário de Lisboa, a cidade do Porto não foi atingida pelo grande terremoto de 1755, que destruiu uma grande parte da capital portuguesa. Assim sendo, no Porto há ainda preservados alguns prédios da idade média e muitas das construções que ficam na baixa (centro da cidade) são do século XVIII e XIX.
Dá pra conhecer muito da cidade à pé e foi o que fiz, mas também andei de metro e há muitas linhas de autocarro (ônibus). Tem vários shoppings, cinemas, boas lojas, mas também muitos museus, igrejas, praças históricas, monumentos. Tudo muito lindo.
O bairro da Ribeira é o mais típico do Porto. São becos com ruas de pedras, quase sem passeios, com casas velhas revestidas de azulejos portugueses centenários. As doninhas penduram roupas em varais nas sacadas dos prédios e fica mesmo parecendo um enorme cortiço. Muito típico e muito original, sem retoques nem photoshop!!
Na Pastelaria do Piolho se come muito bem. Comi um prato chamado “francesinha” que é típico do Porto. É uma torta de pão de forma recheada com filé, queijo, lingüiça, cebola, tudo coberto com um molho especial à base de tomate e pimenta. Muito bom.....mesmo!!
Festa
Os 25 anos de Anita foram mesmo animados. Durante a festa, que também inaugurou a nova casa dela, fiquei conhecendo os amigos que ela tem no norte. Todos bem cachaceiros, por sinal. Só de sangria, devem ter ido uns 10 litros, já que a bebida foi preparada num balde... kkkkkkkkkkkkkkkk. E lá a bebida leva cerveja, uísque e vinho do Porto!! Dá-lhe!!
Depois de dançar os hits do momento, a malta (que aqui significa galera) abriu espaço para a música brasileira e como única representante do nosso país, fui incumbida de ensinar o samba e o forró. Nunca me diverti tanto. Ô gente sem molejo, Nossinhora!! Além dos tropeços, teve o rodopio de um casal que acabou no chão. Ahahahahahah...que batismo!!
A festa acabou às 5 da manhã e quando pensei que ia dormir, veio o Plano B. Literalmente!!! É que Plano B é o nome de uma boate que fica no coração da cidade, ao lado da casa de Anita. De lá ainda fomos a outra boate chamada Tendinha, com menos música eletrônica e mais pop rock internacional. Confesso que gostei mais...saí de lá às 7 e tantas e o lugar ainda tava lotado....êta povo festeiro....e eu que pensei que o Porto era um interiorzinho tranqüilo, tipo São José da Serra....ihihihihihihihi
Pessoas
É impressionante a diferença entre os portugueses do norte e do sul. Quanto mais ao norte, mais simpáticos!!! Nunca fui tão bem tratada quanto no Porto. Nas lojas, lanchonetes, na estação do trem, nos museus, as pessoas são alegres, comunicativas e mesmo carinhosas. Todas as vezes em que pedi informação, as pessoas me conduziram pelo braço (será que era assim tão visível a minha falta de senso de direção?????kkkkk) Lá me tratavam como “minina”, dizendo o tempo todo: “o que que a minina precisa?”, “a minina está a gostar?”....São mesmo uns fofos!
Como todo português, o povo do Porto ama futebol. Aliás, toda cidade lusitana tem um time e todo time disputa campeonatos em nível nacional. No caso do Porto, eles têm uma super equipa (como dizem aqui), tão boa quanto o Benfica, ou melhor, motivo a mais para as repetidas manifestações de amor ao time, que vi pela cidade.
Ah, pela primeira vez vi ciganos de verdade, sem ser no circo. Eheheheh. Eles se vestem muitíssimo bem, têm dinheiro e freqüentam bons lugares. Ainda há comunidades que vivem em tendas, acampamentos, mas a maioria deles tem casa, embora ainda preservem muito a sua cultura no jeito de vestir e de falar. A aparência é muito típica. Os homens sempre usam cavanhaque, as mulheres têm longos cabelos e muitos badulaques.
Lugares
Tem alguns lugares históricos que não posso deixar de destacar. Tive a oportunidade de visitar a Igreja de São Francisco de Assis, construída no século XIII e que é patrimônio da humanidade pela Unesco. Toda em estilo rococó a igreja tem um teto altamente trabalhado, em dourado, que é um luxo, aliás, um enorme contra-senso com os votos de pobreza dos franciscanos. No subsolo tem uma câmara mortuária com túmulos de pessoa nobres enterradas no século XIX. Tão forte a cena que saí de lá com dor de cabeça.
Outro lugar muito sombrio é o atual Museu da Fotografia, que foi instalado no antigo presídio da cidade, usado inclusive para abrigar os presos políticos na época da ditadura de Salazar. As paredes são de pedra, altíssimas, e as salas têm pesadas portas e grades de ferro. As fotos expostas são todas da revolução, dos conflitos pela independência e da ditadura militar. Uma aula sobre as lutas que marcaram a história portuguesa.
A Torre dos Clérigos também é uma maravilha. Altíssima, com um lindo sino, que badala até hoje para marcar as horas.
A cidade do Porto é banhada pelo rio Douro, que é lindíssimo e que deságua no mar na região da Foz, onde fica o Forte. Esse cenário é lindo! Alias, tem várias pontes sobre o rio Douro e mais importante é a Ponte Eiffel, construída pelo mesmo arquiteto da torre de mesmo nome em Paris. O estilo inclusive é o mesmo. Os carros passam por baixo do arco e o metro por cima. À noite ela fica toda iluminada. Um deslumbre. Só ficou faltando uma coisa na viagem: ir ao Museu e às caves de vinho do Porto, fazer uma degustação das melhores marcas dessa maravilha da região!! É que dois dias à base de vinho não tava nos meus planos....nem no A nem no B....kkkkkkkkkkkkkkk
Bem, encerro assim o capítulo “Porto” da minha história lusitana, com o desejo de ler de novo essas páginas! Lugar bom a gente volta, quer seja pra fazer o que não foi possível, quer seja pelas pessoas queridas que conhecemos. Enquanto não abraço e beijo cada um de vocês, tenho que me virar pra fazer amizades “nessa terra de Cabral pegador de indiazinhas indefesas”, como diz meu querido amigo Dalzito. Mas essa é uma história pro meu amigo Pero Vaz, que muito mais Caminha do que eu!!!
Beijoss,
Elis
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