Queridos amigos,
Sejam muito bem-vindos ao Diário de Bordo da Elis. Esta edição será destinada a contar minhas aventuras na Itália. Estive por aquelas bandas entre os dias 02 e 09 de abril e conheci cinco cidades, viajando de trem entre elas e procurando, além dos pontos turísticos, conhecer um pouco da cultura local. Foi uma verdadeira maratona, com tantos lugares e histórias pra contar que daria um livro! No entanto, como de livro já basta a minha tese, prometo usar todo o poder de síntese que a minha veia jornalística permitir para fazer um relato o mais sucinto possível:
Pisa
Foi lá que o meu passeio teve início. Pisa é bem pequena em termos de população, mas a cidade é distribuída num espaço geográfico bastante amplo. A grande atração é mesmo a torre. É toda de mármore muito branco e é muito, muito, muito inclinada! As fotos não mostram isso, mas ela realmente é torta com força! A torre faz parte de um conjunto arquitetônico construído pelos Medici, uma família de antigos mecenas, muito influente e rica da Itália. Além da torre, o complexo arquitetônico inclui uma igreja linda, um batistério e uma câmara mortuária. Tudo em mármore, muito trabalhado, grande e rico! Em Pisa fui recebida por um casal muito simpático: a brasileira Marcela e o italiano Davide. Além de conhecer Florença na companhia deles, ainda tive o privilégio de comer um nhoque feito em casa (estupendo!) e perceber como são os hábitos do dia-a-dia, o que assistem na TV e como pensam. Adorei! Percebi que a Itália é um país ainda muito rural, com um governo de extrema direita, com alto nível de rejeição a imigrantes e muito fragmentado em termos políticos e sociais, pois cada cidade fala um dialeto e tem um cultura diferente.
Florença
Florença é mesmo surpreendente. Foi o berço do Renascimento e as ruas estão cheias de obras de escultura e arquitetura muito ricas. A cidade é um museu a céu aberto!
A piazza della Signoria é a mais bela e importante praça de lá. Nela fica o Palazzo Vecchio (Palácio Velho) e nos arredores há importantes galerias e museus como a Galleria del Accademia (onde fica o Davi de Michelangelo, magnífico!), Galleria degli Uffizi e o Palazzo Pitti. Todos esses edifícios têm arquitetura lindíssima e mesmo do lado de fora são cercados por muitas estátuas de personagens e lendas mitológicas (Hércules, Apolo, etc) e/ou dos grandes gênios italianos da história, tais como Petrarca, Galileu Galilei e Leonardo da Vinci.
A Ponte Vecchio é uma ponte medieval sobre o Rio Arno e em toda a sua extensão abriga grande quantidade de joalherias riquíssimas, com muitas pedras preciosas e muito ouro.
A basílica da cidade é a Duomo di Santa Maria del Fiore, uma igreja simplesmente monumental, também toda em mármore! Aliás, qualquer cidade italiana, por menor e mais rural que seja, tem sempre uma igreja linda e muito rica, toda em mármore branco e colorido, com peças em ouro e interior muito trabalhado. É muito impressionante o poder e a riqueza da Igreja Católica por lá.
Meu destaque vai para a Cappelle Medicee, a câmara mortuária da Família Médici, cujos túmulos têm esculturas de Michelangelo. Há dois casais de estátuas que são inesquecíveis: o dia e a noite! A autora e o crepúsculo! Essas esculturas tem forma humana e são tão perfeitas e expressivas que só faltam respirar. O cara era mesmo um gênio!
Roma
Linda, inesquecível, única! Ninguém deveria morrer sem ir a Roma, mas uma coisa é certa: nunca se deve ir na semana santa. Descobri isso a duras penas. A cidade que abriga a sede da Igreja Católica no mundo estava super lotada. Transportes lotados, lugares turísticos lotados e um atendimento precário. Italianos mesmo eram só os atendentes dos bares e restaurantes que por sinal não tinham a menor paciência com quem não falava o idioma pátrio. Levei um guia de italiano, mas não saiu quase nada, porque eles falam muito rápido e acabei tendo que me virar em inglês. A verdade, porém, é que os italianos não sabem falar inglês não...fiquei chocada e passei alguns apertos para me expressar!
Bem, o Coliseu é mesmo grandioso. As ruínas foram bastante restauradas, mas dá para ver pedras ainda originais. E pensar que durante 400 anos, ainda na idade antiga, aquele “estádio” foi o centro romano de espetáculos brutais e lutas sangrentas entre os gladiadores! Emocionante! Aliás, as ruínas romanas são o máximo. Há muitas pilastras ainda de pé e o Foro Romano é um monumento que ainda hoje resgata a idéia da Roma antiga. O templo era dedicado às divindades mais sagradas, ou seja, os doze deuses do Olimpo. O Panteão Romano também é um templo dedicado a todas as divindades e está igualmente preservado.
Outro ponto alto da cidade é a Fontana di Trevi: uma fonte famosa e espetacular, onde as pessoas jogam moedas e fazem pedidos. É monumental. Só vendo pra entender.
A Basílica de São Pedro fica na Praça de São Pedro que é o coração do catolicismo no mundo. É tudo gigante, rico, iluminado e cheio de ouro. A tradição diz que a catedral foi construída sobre o túmulo de São Pedro, considerado o primeiro papa de todos os tempos.
O Vaticano também não decepciona. Trata-se de um complexo de museus que simplesmente tem sete quilômetros internos de extensão. Há dezenas de galerias com pinturas, vasos e tapeçarias. É lá que fica a Capela Sistina, cujas paredes e tetos foram pintados por Michelangelo e Leonardo da Vinci. Fiquei muito impressionada com a tridimensionalidade da capela. Além da perfeição das formas, os dois pintores conseguiam dar relevo às suas obras e parece mesmo que as figuras renascentistas que representam divindades e demônios estão voando, saindo das paredes. Fantástico! O afresco do “Juízo Final” de Michelangelo ocupa uma parede inteira e “veramente vero” me tirou o ar!
Roma ainda tem várias praças deslumbrantes, dais quais destaco a Piazza de Spagna, a Piazza de Venezia, a Piazza Del Populi e a Piazza Navona, onde fica a Embaixada do Brasil.
Eu ainda andei de bike pela Villa Borghese, um parque lindo e muito verde, com uma vista privilegiada da cidade.
Veneza
Fiquei deslumbrada com Veneza. É a cidade mais original que já conheci, porque ao invés de ruas tem canais marítimos. Na verdade trata-se de um conjunto de 117 ilhotas, que são ligadas entre si por 400 pontes. Você entra por uma ponte, anda dois quarteirões e já está saindo daquela ilha por outra ponte. Uma loucura. Devo ter conhecido umas 60 ilhas (risos), das quais a ilha de Murano foi a que mais me supreendeu. Lá é famosa a produção de artigos de vidro com aquela técnica artesanal do sopro e tem peças belíssimas espalhadas pelas lojas da ilha.
A Piazza de San Marco é a praça mais famosa e abriga os melhores restaurantes de Veneza. É lá que fica a Basilica de San Marco, a Torre de Campanille e o Palazzo Ducale. Todos monumentos de arquitetura grandiosa, de tradição católica mas com muita influência árabe, por conta das relações históricas da cidade com o império bizantino (os famosos mercadores de Veneza). Em toda parte há pequenas feiras de artesanato, com destaque para venda das lindas máscaras do carnaval de Veneza.
Eu adorei a Torre D’orologio, que como o nome diz é a torre do relógio da cidade. O interessante é que as horas são marcadas pelos desenhos dos signos do zodíaco. Muito místico!
Veneza é uma cidade para se relaxar. A vista do mar Adriático ao final da Piazza de San Marco é deslumbrante e deixa ver alguns dos palacetes que compõem o patrimônio da cidade.
Por lá, os táxis são lanchas e os ônibus são barcos de médio porte. Há também as gôndolas, que são barquinhos para casais, muito luxuosos, das quais tirei apenas belas fotos, pois uma voltinha de meia hora custava míseros 150 euros.
Milão
Cheguei a Milão à noite e pude ver iluminadas as lojas luxuosas da capital italiana da moda. Lá é tudo mais novo e mais moderno do que nas outras cidades que percorri na Itália.
As pessoas se vestem muito bem e as principais grifes, estilistas e eventos do mundo da moda estão ali representados.
A Duomo de Milão é uma catedral muito bonita, em estilo gótico e construída em mármore muito branco. Bem em frente fica a Galeria Vittorio Emanuele, linda e muito imponente.
Ainda conheci o famoso Teatro Scala e dei umas voltas pela cidade para sentir o clima urbano, que não foge ao estilo europeu: prédios baixos e antigos misturados com edifícios luxuosos e espelhados, tudo isso em meio a ruas muito planas onde carros, bondes, ônibus, metrô, ciclistas e pedestres parecem integrar um cenário que é ao mesmo tempo histórico e contemporâneo.
Cultura Italiana
É verdade que as massas, ou pastas como eles dizem, são muito boas na Itália, mas nada que uma grande mama brasileira não faça bem. Molho de tomate por lá é pomodoro, ou seja “a fruta de ouro”. É tão utilizado em tudo que no final não conseguia mais comer nada que fosse vermelho e ácido...kkkkkkk
Os pães italianos são muito bons. Os paninis e as bruschettas são deliciosos, mas eles também comem muito croisssants e sanduíches tipo wraps, com um pão bem fininho parecido com o pão árabe. A pizza é muito boa e nas lanchonetes as fatias são vendidas no peso. Você diz qual o tamanho que quer e leva pra casa algumas gramas de pizza.
O sorvete é muito famoso na Itália. São chamados de “gelatos” e são mesmo muito cremosos, mas são caros: o turista paga no mínimo 4 euros por uma bola!
O café expresso é de origem italiana, mas não achei diferente dos cafés expressos do Brasil ou de Portugal. Acho que as máquinas já são as mesmas no mundo todo..ehehehhehehe
Os italianos de Roma fogem à imagem daquela gente simpática e bonita que a gente vê na TV. Ao contrário, me pareceram muito grossos e pouco dispostos a ajudar. Nas ruas também não são bonitos como os jogadores da seleção de vôlei da Itália..kkkkkkk...Nas outras cidades, o povo era mais educado, mas sinceramente me decepcionei bastante com a pouca receptividade das pessoas: não informam nada, não perdem tempo com ninguém. Prefiro mil vezes os alemães, os espanhóis e até os ingleses. Vai ver que dei azar né?
Fiquei impressionada como tudo na Itália é caro: transporte, comida, hospedagem. Em Roma cada museu cobra de 10 a 20 euros para entrar (o Vaticano cobra 19 euros). Cheguei a pagar 3 euros numa coca-cola e 5 euros num sanduíche só com presunto e queijo. Além disso todo restaurante tem um monte de taxas que você só fica sabendo quando vem a conta: taxa de atendimento, taxa de serviço (uma é diferente da outra), taxa por sentar nas mesas internas, taxa para respirar o ar italiano!! hihihi.
Como estadia em Roma era muito caro, resolvi ficar num camping. Na Europa os campings são parques privados com chalés ou espaços para aqueles furgões do tipo moto-homes. Dei sorte: a localização era boa e além de um chalé com ar condicionado, o camping tinha supermercado, boate e lanchonete. Muito prático e bem mais barato!
Fatos cômicos
Em Roma de cara já me passaram a perna no Mc Donalds da própria estação de trem. Pedi umas fritas e uma coca-cola, que custaram 5 euros. Dei 20 e o atendente só me voltou 5. Não teve santo que fizesse eles reconhecerem que faltavam 10 euros no troco. Ninguém falava inglês, nem mesmo o gerente e eu simplesmente não fui capaz de brigar e exigir os meus direitos em italiano!! Aff.....como é ruim não conseguir se expressar! A porcaria das batatas hidrogenadas e da coca-cola que só fazem mal à saúde me custaram 15 euros...Putzzzzz.
Saída em italiano é “uscita” e se lê “uchita”,. Pois bem. Estava eu nas ruínas romanas e não vi que era hora de fecharem as portas. De repente sai do meio do nada um guardinha com um apito estridente, que não contente em quase estourar o meu tímpano, começa a apontar pra porta e gritar: uussciiitaaaa!!! Fiquei traumatizada e ouvi os ecos dentro da minha cabeça por três dias...kkkkkkkkkkkkkk
Bem, estávamos eu e meu amigo Otávio no Museu do Vaticano, num calor infernal, cansados de peregrinar junto com os romeiros católicos da páscoa, quando resolvemos sentar num banquinho e discretamente tirar os sapatos para os pés respirarem. Foi a conta de chegar uma funcionária muito mal humorada, que olhando pra nós e balançando a cabeça negativamente, gastou todo o inglês dela pra dizer várias vezes: “no nice!”. Agora já sei que tirar os sapatos no Vaticano “não é legal”. Que fique publicamente registrado o meu pedido de desculpas junto à Vossa Santidade, Bentinho XVI.
Golpe mor. Eu com a minha pose de turista, aceitei inocentemente tirar fotos com uns moços simpáticos, vestidos de soldados romanos. Imaginei que pudesse dar um euro de gorjeta. Depois da bela sessão de fotos, os bravos guerreiros da antiguidade exigiram míseros 5 euros pelos minutos perdidos ao sol de primavera, enganando mais uma desavisada! Quem mandou não combinar o preço antes? Como advogada eu devia saber disso né...Mama mia!!!
A pior situação de todas foi o trem que eu e Otávio pegamos de Roma para Veneza. Um eurostar da Trenitália!! Bonito nome né? Inacreditavelmente no primeiro trecho até Bolonha, que durou 4 horas, nós viajamos em pé. Acreditem! Quando fomos comprar a passagem, a máquina dizia: “sem lugar marcado”, mas o que ela queria dizer era “sem lugar de jeito nenhum”!!. E o pior é que a passagem custou 45 euros por pessoa. Incrível essa cortesia italiana! Tinha lá uma beirada lateral onde era possível descansar o corpo durante a viagem, mas nem de longe lembrava um assento decento. Ao final das quatro horas eu tava morrendo de saudades do busão brasileiro...kkkkkkkkkkkk
E eis a minha vingança infantil: para dizer “de nada” após um agradecimento na Itália, eles usam dizer “prego”. Essa era a parte que eu mais gostava. Quando alguém me atendia mal, ao final eu pagava e quando o cara agradecia eu dizia em alto e bom som: preggooooo!!!! Ahahahhahahhahahahah
Bom, tem muitos outros fatos, sensações, impressões e momentos que eu poderia aqui relatar, mas esses vão ficar pros nossos vários encontros pessoais num futuro próximo aí no Brasil. Espero que as minhas gafes e as impressões um tanto negativas sobre o povo italiano não influenciem ninguém a deixar de conhecer aquelas terras. É tanta beleza natural, tanta construção bonita, tanto lugar paradisíaco que seria um pouco demais desejar que o povo fosse o mais bacana do mundo!!! Kkkkkkk. E viva a diversidade, que torna a vida mais rica e divertida e ainda impede a visão da história única! Capische??
Arrivederci!
beijinhos
Elis
Oi, Elis!
ResponderExcluirLi seu blog há um tempo atrás, uma amiga minha de BH indicou, a Paula Zawadzki. Eu e a Paula cursamos um especialização juntas, quando eu morava em BH.
Agora também estou, como vc diz, "me aventurando nas terras de Cabral". E também escrevo num blog. Só que minha rotina é bem diferente da sua, dps te conto! rs
Agora que vc postou texto fresco fiquei curiosíssima, vou voltar depois pra ler o resto e comentar!
Morro de rir como o que vc escreve e como escreve, até porque me identifico com muitas percepções suas sobre Lisboa e principalmente sobre os "trocadilhos vocabulares" que conhecemos quando estamos aqui.
CURIOSIDADE: vc vai extinguir o "Diário de Bordo da Elis" quando voltar para o Brasil?
Um abraço, volto dps!
Michelle.
Acabei de ler os relatos, kkk, vc é engraçada... Essa de não falar inglês me surpreendeu pra valer! Cada um com sua "filosofia" de modernidade, não é? Bom, na verdade fiquei surpresa com muitas outras "passagens" que vc contou, mas vamos acreditar que foi tudo uma casualidade negativa consequente da lotação típica de feriados. Aqui em Lisboa, por exemplo, agora que faz calor e as ruas estão cheias, ninguém fica livre de passar raiva de vez em quando também, né?
ResponderExcluirUm abraço,
Michelle.