AS VENTURAS E DESVENTURAS DE UMA MINEIRINHA NAS TERRAS DE CABRAL

Sejam vem-vindos! Mi casa, su casa.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Edição Final - 02/08/2010

Preciosos amigos,

Sejam muito bem-vindos ao Diário de Bordo da Elis, edição final. Eu não podia terminar essa saga sem descrever como foi o meu retorno ao Brasil, afinal toda expedição tem o seu registro derradeiro, com a devida prestação de contas ao comandante da embarcação. Se foi a minha razão que me conduziu para essa aventura em terras lusitanas, foi o meu coração que me trouxe de volta pra casa, sã e salva e cheia de boas lembranças e histórias para contar! Terra à vista!

Ultima Semana em Portugal

Os últimos dias em Portugal foram de muitos passeios e escaladas. Depois do último relato, em que relatei ter conhecido Fátima, Leiria e Pombal, vários outros roteiros me esperavam para concluir as férias com os amigos portugueses. Estive no mosteiro da Batalha, em Alfeizerão, em São Martinho do Porto, na cidade de Nazaré, em Aljubarrota, no mosteiro de Alcobaça e em Óbidos. Todas essas são cidades e/ou vilas deliciosas na região central de Portugal, cheias de história e tradição. O destaque vai para São Martinho do Porto, que tem uma praia muito agradável onde andei de gaivota (uma espécie de pedalinho) e também para Óbidos, uma cidade histórica, toda cercada de muralhas medievais, na qual eu presenciei uma legítima feira medieval, com direito a trajes e comidas típicas. No meu penúltimo dia em Portugal ainda fui à região do Alentejo, uma das mais tradicionais de Portugal, que fica em direção ao sul do país e bem abaixo de Lisboa. Lá conheci a aldeia de Vimieiro e a cidade de Évora, com o seu templo de Diana, uma construção romana muito preservada.

Como se vê, a viagem foi produtiva e divertida até o fim. Posso dizer que a minha quilometragem aumentou consideravelmente nas últimas semanas por lá..rsrsrs... Isso é que eu chamo de aproveitar até a última gota! J

Embarque

Depois de tantas aventuras vividas, se o embarque para o Brasil fosse simples não ia ter a menor graça. Na verdade, na véspera da viagem eu nem consegui dormir de tanta expectativa. Ao chegar ao aeroporto, com duas malas gigantes (fora as outras duas que deixei em Portugal) e muita bagagem de mão, achei estranho que meu vôo não aparecesse no painel eletrônico. Minha aflição se confirmou quando a atendente da TAP me disse que o vôo tinha sido transferido para o dia seguinte. Imaginem a minha decepção...Como assim, ninguém me avisou?? Incrível o desrespeito a mim como passageira. Mal sabiam os caras o quanto esse coração mineirinho estava batendo forte de vontade de voltar pra casa. Entre choros e suspiros de decepção, tentei avisar a todos no Brasil que a festa ia ter que esperar mais 24 horas.

Festinha da chegada

Quando eu digo festa, é festa mesmo. Depois de um vôo de nove horas sem maiores incidentes, cheguei ao Brasil na tarde do dia 16 de julho. Minha família estava no aeroporto, com faixa e apitos e eu fiquei mesmo muito emocionada. Chorei muito, por sentir que ali estavam as pessoas que eu mais amo e que mais me amam nesse mundo, para cujos braços eu sonhava em voltar, a fim de suprir aquela falta do amor puro e verdadeiro que a gente sente quando está fora do ninho. Ao chegar em casa, tinha mesmo uma festinha montada, com direito àquela cerveja gelada que foi objeto de muitos brindes com os meus melhores amigos, que estiveram lá durante toda a noite para me rever. A emoção foi incrível! A partir daquele momento senti como se estivesse de novo ficando raízes num solo fértil, de uma terra que sempre foi minha. Pra muita gente ganhar o mundo é coisa fácil, mas pra mim, uma legítima taurina de elemento terra, fácil mesmo é voltar pra casa, onde eu me sinto segura e feliz.

Readaptação

Duas semanas foi o tempo que demorei para me rearticular por aqui. No início fiquei meio lenta, sem muita ação e espero que isso tenha sido mesmo efeito do fuso-horário. Passados os primeiros dias, fui readquirindo minhas referências, revisitando lugares, revendo pessoas e reprogramando minhas atividades pessoais e profissionais. Voltar na minha casa da serra do cipó foi uma experiência à parte. Eu sou daquele lugar muito mais do que ele é meu! Só sou completa lá, entre as árvores do cerrado, as águas de Iemanjá e aquele vento único e vivo, que faz a curva naquele pé de serra, na beira da represa. Espero nunca mais ter que ficar longe de lá tanto tempo, porque descobri que as minhas raízes nessa vida são muito mais profundas do que eu podia imaginar. Nunca quis tanto fazer coisas tão simples: ver a cara dos meus alunos, atender aos meus clientes de advocacia, escalar no calcário da minha terra, nadar nas cachoeiras do cipó, almoçar com a minha família, bater papo com os amigos e brincar todo dia com o meu afilhado lindo e com a minha labradora Luna, fiel escudeira nesses últimos seis anos. Hoje sei que a vida é feita desses pequenos prazeres, daquele sabor que só encontramos na simplicidade da rotina que nos realiza e nos dignifica. Nada melhor do que andar por terras distantes, desvendar o novo e viver tudo o que a vida proporciona para aprender a valorizar ainda mais, e sempre, aquilo que Deus nos deu! Maktub: tudo isso estava escrito e foi vivido em sua plenitude!

Por essa última vez ainda me despeço de vocês, meus confidentes, meus amigos e meus cúmplices nesse capítulo tão precioso, tão profundo e tão pleno da minha vida! Essa viagem só fez sentido porque eu pude compartilhar o que vivi e senti com cada um de vocês. Obrigada pela paciência, obrigada pelos emails e mensagens de encorajamento que me renovaram as energias tantas vezes e me fizeram ter a certeza de que o caminho somos nós mesmos que fazemos, onde quer que estejamos, com respeito, amor e dignidade! É muito bom estar de volta! Portugal vai ficar na minha memória como uma terra especial de um período mágico da minha vida, ao qual eu devo muito do pouco que hoje eu sou.

Beijos, abraços, lágrimas, sorrisos e o meu muito obrigado, de coração!

Até sempre, para sempre.

Elis

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