AS VENTURAS E DESVENTURAS DE UMA MINEIRINHA NAS TERRAS DE CABRAL

Sejam vem-vindos! Mi casa, su casa.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Edição 5 - 08/12/09

Salve, Salve, meus amigos!

Sejam muito bem-vindos ao Diário de Bordo da Elis
Cá estou eu, a mais uma vez incomodar-vos com minhas noticiosas linhas sobre a terra de Cabral. Mais uma semana, mais um “bocadinho” de sensações, experiências e impressões:

Língua
Começo pelo “bocadinho”. É a maior conexão que encontrei entre a linguagem lusitana e o legítimo mineirês. A pronúncia é “cadim”, pequeninim assim mesmo, e eles usam muito. “Tá um cadim frio...fica um cadim longe...” Que delícia!
Achei uma expressão que não tem tradução para a nossa língua: “se calhar”. Eles dizem assim: “se calhar, hoje está mais frio que ontem”. O mais perto que cheguei da tradução foi: “se bobear”, “se duvidar”, etc....mas calhar é calhar, e é bem próprio daqui.
Quem nasce em Lisboa é aqui chamado de “alfacinha”...e não é pegadinha portuguesa não: vem de alface mesmo! É que no passado os lisboetas foram grandes plantadores da hortaliça. Isso é que é ser natureba, devem ser todos ativistas do Greenpeace...kkkkkkkk
Olha, gente, eu enfim resolvi o problema dos pronomes de tratamento: dei o braço a torcer e desisti de usar o “você”. É que eu descobri que falar “você” aqui é como chamar alguém de senhor ou senhora. É muito formal. O negócio é usar o “tu”. E o interessante é que o tu é implícito e serve apenas para reger a concordância verbal. Então agora eu falo assim: “vais ao cinema hoje?” “gostas de macarrão?”, “foste ao mercado?”. É bonito e cria familiaridade. Tem umas perguntas que são próprias dos nossos irmãos lusitanos: “tais boa?” ou então “percebes?”. Olha, está sendo mesmo muito duro largar o “você”, mas não tem outra solução, principalmente numa terra onde ninguém entende o que é “ocê” e muito menos “cê”. Ai Deus, por favor alguém me diz “oncotô”!!

Festas
Está chegando o Natal e a cidade está toda iluminada. Tem lindas árvores e uma eletrônica em especial, que é a maior da Europa (dizem...), além de luzes cruzando as avenidas de um lado a outro e grandes painéis com cores e formas diferentes. Lindo demais! A esse respeito há um dado interessante: por volta de 3 da manhã apagam tudo. É a cultura européia da economia de energia. Quem ainda está na rua esquece que é Natal, mas pelo menos não se fala - e nem se sofre na pele - os efeitos do apagão.
Papai Noel aqui se chama Pai Natal. Literal, como são os portugueses. Afinal, sobrenome pra quê, quando se pode ter um apelido...principalmente se esse apelido coincide com a própria data. Assim, ninguém se confunde né? Só fico pensando na ofensa ao nome, como um direito de personalidade do nosso bom velhinho.
Fiz uma amiga alemã, a Imke Krueger (lê-se ÊMIKA). Ela mora na minha rua, estuda antropologia e fala português do Brasil, porque morou um ano em Recife. Ficamos tão próximas que ela me chamou pra passar o natal com a família dela, na Alemanha. A cidade se chama Karlshure e fica na divisa com a França. Topei no ato e já comprei minha passagem. Vou pegar um vôo até Frankfurt e de lá um trem para Karlshure. Segundo a Imke, o natal lá é bem tradicional, com cantigas alemãs e uma ceia farta. Na casa dela todos falam um pouco de português, porque a mãe é professora de línguas. Além disso, os alemães estudam inglês desde a escola, então vai dar pra me virar com o idioma. Já conheci vários amigos dela, todos muito simpáticos e estou feliz por passar com pessoas acolhedoras o primeiro natal da minha vida longe da família. Ah, com um detalhe: vou enfim conhecer a neve...rsrsrs...Ela disse que vai me emprestar aquelas botas que tem umas raquetes embaixo. Quem diria que esses pés rachados pelo cascalho da serra do cipó iriam um dia trincar de frio num sapato tão fashion!!!

Viagens
Ontem pela primeira vez, fiz um tour por algumas cidades próximas a Lisboa. Eu, Fernanda e Puto (o amigo português de apelido delicado) começamos pela cidade de Cascais, que tem praias e é bem elitizada. Belíssima. Depois de passar pela Boca do Inferno, Cabo da Roca e Praia do Guincho, fomos a Sintra, uma outra cidade bem histórica e turística, que tem uma serra (montanhas) linda e vários palácios e castelos. Os destaques vão para o Cabo da Roca, que é o ponto mais ocidental da Europa (onde Judas calçou as botas..eheheh) e para o Castelo dos Mouros, um conjunto de muralhas colossais localizado em Sintra. Ao final, fomos a um cassino de verdade, (aqui eles são legalizados)...uauuuuu.....Aliás, aqui cassino tem um “s” só e se lê “cazino”. Bem, o Casino do Estoril é super luxuoso: tem aqueles letreiros luminosos e fontes do lado externo e dentro tem todos os tipos de jogos (poker, roleta, etc) inclusive aquelas máquinas de jackpot que mostram figuras ao se rodar a manivela, que foi a que eu experimentei. Ameeeeiiiii.
Quanto ao réveillon, ao que tudo indica passarei na cidade de Albufeira, no sul de Portugal. Fiz uma amiga portuguesa, a Joana, que tem lá uma casa, bem próxima da praia, e vai fazer uma super festa na virada do ano. Essa cidade fica na região do Algarve, a parte mais turística (e mais quente) do país. Espero que o frio não nos impeça de ir à praia na virada do ano, para entregar à maré as ditas e desditas de 2009 e renovar todas as energias para receber com expectativa o nascente 2010. Se não der para pular as sete ondas – isso se meus pés sobreviverem ao frio da Alemanha – eu simulo o movimento na areia, rsrs...e de toda forma entrego ao mar o meu barquinho de papel com as minhas orações pra mamãe Iemanjá.

Cozinha
Durante a viagem a Sintra eu comi travesseiros. Hum, que delícia. Claro que não de penas ou espuma..rsrs....Na verdade são folhados doces, com um creme delicioso dentro. São doces próprios da cidade, que, aliás, tem uma pastelaria chamada “Periquita” com deliciosas guloseimas portuguesas.
Descobri uma bebida excelente aqui. Se chama Licor Beirão. É muito doce, bem forte e para ficar gostoso é melhor que se tome com alguns cubos de gelo. Que eu saiba só tem aqui em Portugal e é bem popular, sendo bastante apreciada pelos portugueses. Qualquer semelhança com a catuaba não é mera coincidência, mas o sabor é diferente. Aliás, aqui ninguém nunca ouviu falar da selvagem.

Casa
Estou adorando meu apartamento aqui em Lisboa, mas tem umas coisas muito engraçadas, próprias do espírito centenário da construção. O interruptor de luz do meu quarto fica do lado de fora e, para piorar, a porta, se for fechada por fora, se tranca sozinha e me deixa sem acesso ao meu próprio aposento. Controlar isso tudo exige reflexos. Kkkkkkkk
Gente, quem me conhece sabe que não ligo pra inseto nenhum, até gosto dos bichinhos, mas de aranha eu tenho horror. Bem, estava eu no aconchego do meu trono sanitário e eis que surge uma aracnídea portuguesa, enorme e assustadora. Tomei um baita susto e até tirei foto (anexa) pra registrar o objeto da minha catarse. O primeiro membro do reino animal a entrar no meu convívio aqui tinha que ser mesmo uma aranha...Experiência de vida!!!!

No mais, deixo-vos o meu abraço fraterno, minhas saudades constantes e minha amizade sincera, no desejo continuar a brindar a vida pela força de viver o que está reservado para hoje! Amém...

Beijos

Elis

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