Caríssimos amigos,
Sejam muito bem-vindos ao Diário de Bordo da Elis, edição de Ano Novo. Como todos já devem estar viajando aí no Brasil e a essas alturas tem coisa muito melhor pra fazer do que ficar lendo e-mail, serei breve. O relato dessa semana será exclusivamente dedicado a contar, em poucas palavras, minhas impressões sobre a Alemanha e a França durante a viagem de Natal. Também postei fotos da viagem no blog e na próxima semana estarei de volta, pra contar as novidades sobre o réveillon em Albufeira, na região do Algarve, sul de Portugal. Por ora, eis o que vi, ouvi e vivi:
Alemanha
Desci em Frankfurt, já à noite e fiquei assustada com o tamanho do aeroporto e também da cidade. Trata-se de um grande centro financeiro alemão e tem edifícios altíssimos. Os alemães falam inglês fluentemente e são muito mais prestativos do que os portugueses para dar informações (quem diria!?)
De lá fui de trem para Karlsruhe, onde mora a família de minha amiga Imke. O “ice train” é confortável e rápido. Sem correspondência no Brasil. Adorei. A passagem é cara, cerca de 40 euros e às vezes ninguém confere o bilhete. Imagina se esse sistema iria funcionar aí no Brasil?!
Kalrsruhe é uma cidade de 300 mil habitantes, que foi a capital do Estado de Baden. Lá fica a sede do Tribunal Constitucional Alemão e a cidade foi fundada por Herr Karls, o dono de um castelo muito lindo que até hoje é o ponto central da cidade.
As construções são lindas, com telhados pontiagudos e cheias de cores e detalhes, bem européias mesmo. As ruas são limpas e muito arborizadas. Nas autopistas não há limite de velocidade e os motoristas fazem 160km/h brincando, pois os carros são potentes e as estradas perfeitas.
A temperatura foi a 2 ou 3 graus negativos em vários momentos, mas os alemães gostam de suas casas realmente quentes. Eles usam uns aquecedores a gás que dentro de casa fazem a gente se sentir nos trópicos. Aí ao sair de casa, de repente a gente se sente transportado ao Pólo Norte e pode até sentir floquinhos de gelo no rosto...rsrsrs
Nas montanhas tem sempre neve. É lindooo! Karlsruhe fica perto da Floresta Negra e agora entendi porque a paisagem lá dá nome a um tipo de bolo. É que os pinheiros muito escuros contrastam com o branco da neve e parecem mesmo chocolate com chantilly. Ah, me diverti horrores na neve escorregando de bunda numa cadeirinha de plástico feita pra isso: é o famoso esquibunda, pura diversão com risco zero! Mas bonito mesmo é ver a perícia dos esquiadores e snowboarders.
A cerveja alemã é a melhor do mundo! A Rothaus é fabricada na região de Baden e além de mais barata é muito saborosa. A propósito das bebidas, os alemães tomam um vinho quente que é maravilhoso: trata-se de uma mistura aquecida de vinho com ervas aromáticas e açúcar. Além disso, eles têm vários tipos de destilados que variam de licores a algumas bebidas muito fortes, bem parecidas com a nossa cachaça. (provei todos que eu pude, mas os nomes são enormes...não consegui guardar...heheheheheh)
A comida é simplesmente deliciosa: a base da alimentação se constitui de batata, bolos de carne, verduras e salsichas de vários tipos, tudo bem temperado com diversos molhos picantes, do tipo mostarda, que são maravilhosos. Eles também fazem biscoitos deliciosos e massas caseiras divinas. Não tem nada a ver com aquele projeto de culinária alemã que a gente experimenta no sul do Brasil (que me desculpem as comunidades de imigrantes de lá)
A noite em Karlshure é bastante animada: vários pubs, bares, boates, etc. Assim como em Portugal, a Coca-Cola e o império americano não dominam nada por lá. A cultura local é forte, típica e eu adoro isso! As pessoas saem das boates de madrugada e vão comer pão com carne de porco ou com salsicha alemã. Amei!!
Os alemães não estão acostumados com turistas latinos. Quando ficavam sabendo que eu era brasileira, me olhavam com curiosidade, talvez pelos meus olhos e cabelos escuros (kkkkk), o que ficava ainda pior depois que ouviam o meu inglês clássico, correto e sem sotaque...kkkkkkkkkkkkk...um verdadeiro atentado contra os companheiros britânicos!
Aprendi algumas palavras em alemão, como “danke” (obrigada), “bitte” (por favor) e é claro “frohe weihnachten” (feliz natal). Aqui o CH tem som de R. Aquele Ü que eles usam tem som de Í. Na hora de ir embora, eles dizem “tschüss” (tchau), e a pronúncia é algo como “tí-is”.
É mentira que os alemães são um povo frio e distante. São muito cordiais e divertidos. Não se oferecem, nem são tão extrovertidos no primeiro contato, mas recebem muito bem os visitantes, com muita cortesia e simatia. Com os amigos e com a família então, sou capaz de apostar que são mais carinhosos e dedicados do que qualquer povo latino do sangue quente...rsrsrs. Enfim, há que se ressaltar que esse é o ambiente do sul da Alemanha, que é mais tradicional, mais caloroso e mais turístico. Além de Karlshure e de Stutgarden, é também onde fica a Bavária, com suas festas e roupas típicas (eu tirei foto com um vestido de lá...segue anexa...ehehehee). Já no norte, onde fica Berlim, embora a mentalidade seja mais liberal dizem que essa receptividade é bem menor.
França
De karlsruhe fomos de trem para Strasbourg, na França. É uma cidade lindíssima e estava muito iluminada (mesmo!) para o natal. Strasbourg tem a feira de natal mais antiga da França, com muitos enfeites, bijuterias, chocolates, comidas e bebidas. Comi um crepe francês legítimo, comprei nougats e ao final ainda falei “merci, au revoir”. Que luxo.
Fiquei muito impressionada com a Catedral de Strasbourg. É uma igreja gótica, toda feita de pedra muito escura e simplesmente gigantesca. Eu olhava pra cima e a igreja não acabava nunca mais. Nem consegui fotografá-la por inteiro, porque não tinha ângulo que coubesse na minha máquina. É imponente. Cada arco tem milhões de desenhos em relevo. Uma imagem que nunca vou esquecer. “Magnifique”!!
Na França tem diversos cafés muito fofos, com aqueles canteiros de flores na porta. As ruas de Strasbourg são bem largas e sinalizadas e as construções são bastante antigas. O centro comercial é bastante movimentado e todas as grifes francesas famosas tem suas lojas de rua. O custo de vida é altíssimo: ainda mais do que na Alemanha, que já não é barata.
Fiquei também muito impressionada com duas decorações de natal que vi na França: uma delas era um teatro de bonecas animadas que se mexiam e cantavam dentro de uma caixa de vidro no alto de uma barraca de natal. A outra decoração era a exposição de lustres grandiosos, de cristal, em caixas de vidro, bem no meio da rua, penduradas bem alto, numa seqüencia de umas 10 peças diferentes. Uh, lá lá...
Os franceses não são, nem de perto, simpáticos como os alemães. Eles não gostam de falar inglês e não tem nenhuma boa vontade com os turistas. Tentamos pedir algumas informações em inglês e fomos simplesmente ignoradas. Só conseguimos pedir uma informação quando a minha amiga Imke falou alemão com eles. É que como os países são vizinhos, as cidades alemãs e francesas que ficam próximas exercem influência umas sobre as outras e há um certo intercâmbio de idiomas entre elas, com a criação de vários dialetos.
A Imke também me contou que os franceses gostam de viajar dentro do próprio país, pois não acham que vão encontrar fora de suas fronteiras nada melhor do que eles lá têm. Bom, de fato lá é tudo muito lindo, mas não é assim tão mais especial do que a Alemanha. Aliás, os alemães conservam muito melhor o seu patrimônio histórico, artístico e ambiental, porque são muito mais metódicos e organizados.
Bem, pra quem ia falar pouco, eu novamente abusei da paciência alheia. Tem muita coisa pra contar, muitas situações inusitadas, principalmente decorrentes das diferenças culturais. Todavia, por ora é chegado o momento de pensarmos no ano que está por vir e nas diversas experiências que todos nós vamos viver de agora em diante. Depois do primeiro natal longe da família, esse será o primeiro réveillon fora do nosso país. Embora não possa abraçar cada um de vocês, como adoro fazer todos os anos, queria desejar-lhes uma linda noite de réveillon e para 2010 simplesmente o melhor da vida: o amor que constrói, o perdão que enobrece, a paz que harmoniza, a saúde que rejuvenesce, a alegria que acalenta e principalmente a esperança e a fé, que fazem com que tudo isso faça sentido, ao lado das pessoas que amamos e de todos os nossos irmãos de jornada. Feliz ano novo!
Beijos e muitos brindes. Saúde!!!! Continuamos essa prosa em 2010...
Elis
Adorei!!!!Elis v. é incrível...escreve bem e é divertida! Que astral! Feliz 2010!
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