AS VENTURAS E DESVENTURAS DE UMA MINEIRINHA NAS TERRAS DE CABRAL

Sejam vem-vindos! Mi casa, su casa.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Edição 17 - 18/03/10

Estimados amigos,

Sejam muito bem-vindos ao Diário de Bordo da Elis, edição Madrid. Enfim conheci los hermanos espanõles. Parece estranho que o mais próximo de todos os países não tenha sido o primeiro da minha lista de viagens. Acho que santo de casa nem aqui na Europa faz milagre! Rsrsrs...Bom, o importante é que valeu a pena esperar! Que lindas são as terras espanholas e que agradável é o som do idioma! Viva Madrid! Olé!!

Cidade
Segui para Madrid um pouco preocupada, pois me disseram que por lá havia muitos ladrões do tipo “batedores de carteiras”. Achei que esse conceito fosse brasileiro e de pronto pensei que era muito triste essa realidade de pequenos golpes brasucas “tipo exportação”. Bem, na verdade não vi nada disso por lá. De duas uma: ou é um fato casual ou sou protegida por São Patinhas, o santo pato da Disney, protetor do nosso rico dinheirinho.
A cidade é bastante clássica. Há muitos monumentos e prédios históricos, de linda arquitetura, além de muitas praças com fontes e estátuas dos reis, autores e artistas espanhóis. Destaque para Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, que por lá é muito cultuado e tem sua estátua na praça que leva o nome da cidade: “Plaza del España”.
Mais uma vez tive sorte e todos os quatro dias foram de céu claro. O clima de dia ficava em torno dos 12 graus e à noite baixava para apenas 1 ou 2. O bom é que não venta como em Lisboa. Nada que o meu já velho casaco de inverno europeu – aquele que me põe como um colchão enrolado – não pudesse agüentar.
Apesar das paisagens urbanas belíssimas, tenho que confessar que no critério limpeza, há falhas. As ruas não são tão limpas como as de Londres, principalmente nos bairros mais boêmios. Notei com certo espanto que há muito cocô de cachorro nas ruas e também aquele cheiro de xixi de gente em cada esquina, obra dos “hombres” que descarregam nos postes o seus excessos de cerveja.

Pessoas
O povo espanhol também é muito simpático. Aliás, tenho me surpreendido com a capacidade que os outros europeus têm de serem mais simpáticos do que os portugueses! Acho que na distribuição das senhas de simpatia, alemães, ingleses e espanhóis (nessa ordem) entraram na fila primeiro!
Olha, apesar de nunca ter tido contato com a língua, comprei um mini-guia de conversação e tentei falar um portunhol safado. Apesar de isso soar absolutamente brega entre nós, me facilitou a vida por lá. Um amigo me deu essa dica e funcionou. Claro que eu errava milhões de vezes, mas, tentando imitar o sotaque deles, ficou mais fácil de me fazer compreender. E como tímida não sou nem um pouco, estabeleci um dialeto próprio: o elispanhol! kkkkkkkkkkkkk...só rindo!!
Aliás, viajei com outro amigo, o Otávio e ficamos hospedados na casa de minha nova amiga, Isabel Vidal: uma espanhola que é um doce de pessoa e que suportou o nosso portunhol e nos ensinou muitas coisas a respeito do idioma e da cultura. Gracias!!
Os espanhóis sabem mesmo viver: lá o comércio fecha todo dia de 2 às 5 da tarde para o almoço. São três horinhas dedicadas à digestão em pleno horário comercial. Além disso, eles têm umas comidas muito boas: paellas, tortilhas e tapas, que são uns tira-gostos, em geral com pãezinhos, lingüiças e queijos.

Lugares
Lá praça é plaza. São todas deslumbrantes, mas merecem destaque pela beleza a Plaza de Cibeles, onde o Real Madrid comemora suas vitórias, além da Plaza de La Villa, que abriga a prefeitura da cidade e a melhor de todas, a Plaza Mayor, que foi a primeira praça fechada que eu vi na vida. A praça é quadrada e tem prédios históricos nos quatro lados, além de muitas mesinhas de bares e restaurantes. A impressão é que se está numa grande e linda galeria a céu aberto.
A catedral de Almudena é muito bonita e é dedicada à padroeira de Madri. A Puerta de Alcalá é um enorme portal, uma construção histórica datada do século XVIII e destinada à recepção dos visitantes da cidade.
O Parque do Retiro é lindíssimo. Tive a oportunidade de ver um por do sol por lá, na beira de um lago enorme, cheio de barquinhos, tomando uma cerveja com o Vitor, pai da minha amiga Cacá, que mora na Espanha há nove anos. Foi outro amigo que fiz, pra vida toda!
El Rastro é o mercado de pulgas mais famoso da cidade. Antes que alguém comece a se coçar, eu explico que é uma rua cheia de lojas para comprar coisinhas, a varejo. Inclusive tem várias lojas de esporte e consegui comprar uma sapatilha de escalada de uma das melhores marcas do mundo, “La Sportiva”, por inacreditáveis 62 euros.
Os museus são mesmo o forte de Madrid. Isso porque há neles um enorme acervo de obras de importantes autores espanhóis. Fui ao Museu do Prado, que está recheado de obras de Rafael, Goya, El Bosco e Velásquez. Deste último autor me impressionou muito um quadro famoso cujo título é “As Meninas”.
Fui também ao Museu Nacional Reina Sofia, que tem obras de Mirò, Salvador Dali e Picasso. Fotografei algumas, que são maravilhosas. Destaque para o “Menina à Janela” de Dali e para a tela “Guernica”, de Picasso, essa última um painel de mais de 7 metros de largura que retrata o bombardeio da cidade de Guernica pelos alemães durante a ditadura de Franco.

Toledo
Tive a oportunidade de conhecer essa cidade, que fica a menos de uma hora de Madrid e mais parece cenário de filme épico. Toda cercada por muralhas medievais, Toledo era famosa na Idade Média por sua produção de aço, especialmente pelas vestimentas dos cavaleiros, conservando ainda hoje muitas lojinhas onde se pode comprar espadas, armaduras e escudos de aço ao estilo medieval.
A parte histórica da cidade está situada no topo de uma montanha, cercada por uma curva no rio Tejo, o mesmo que chega a Lisboa. Imaginem a vista. É simplesmente maravilhosa! O brasão medieval da cidade está por todo lado e os prédios estão muito bem conservados, mantendo suas características originais.
Dentre as construções, que são maravilhosas, merece destaque a Catedral de Toledo, que é a igreja primaz da Espanha. Eu nem sabia que podia existir uma igreja tão grande. Fiquei simplesmente uma hora lá dentro, só percorrendo as dezenas de câmaras, que eram sacrárias, mortuárias, capelas, galerias de arte, tudo isso dentro da mesma construção, cujo tamanho chega a ser assustador. Achei engraçado o sistema das oferendas. Há uma caixa com várias lâmpadas. Você deposita 10 centavos e uma lâmpada se acende. Pronto! Ao moderno modo católico seu pedido foi registrado! Esse negócio de vela é coisa do passado!
Por fim, há em Toledo uma obra de arte que foi a mais impressionante que vi. Trata-de se uma pintura de El Greco chamada “O Enterro do Conde de Orgaz”, que fica dentro da Igreja de Santo Tomé. A tela, enorme e muito real, tem dois planos: um terrestre, onde vários religiosos velam pelo corpo do nobre e outro plano espiritual, onde Deus e uma falange de anjos rasgam o céu com muita luz para esperar a ascensão da alma do falecido. Divino! Místico! Inesquecível!

Diversão
Tive a oportunidade de presenciar uma festinha de aniversário da amiga do amigo, em plena praça pública de Madrid, com balões e balas. Adorei cantar os “Cumpleanos Feliz” e dar os parabéns em espanhol!
Para me sentir uma verdadeira espanhola, não economizei nos badulaques. Comprei leque, castanholas e cantil em couro, tudo muito típico. O melhor de tudo foi a foto que tirei com o toureiro, em plena Puerta Del Sol, que é a praça que tem o marco zero da quilometragem de Madrid.
Também comprei uma camisa do Real Madrid com o nome do Kaká, que é pra desfilar aí no Brasil com toda a pompa do time mais rico do mundo...kkkkkkkkkkkk
Saí à noite para um bar dançante inusitadamente chamado “Pika Pika”. Fica na região de Lavapiés, onde fiquei hospedada, que aliás é um dos points da noite em Madrid. As boates abrem à meia-noite e vão até às 6 da matina. As ruas ficam sempre cheias e se vê grandes turmas de pessoas nas praças, com suas garrafas de bebidas, jogando conversa fora.
Antes de embarcar, pesquisei na Internet e fiz uma lista de lugares turísticos. Um dos que estavam lá indicados era o “Museu Del Jamón”. Chegando lá em Madrid rolei de rir ao saber que jamón é presunto e que o tal museu do jamón nada mais é do que uma casa de frios, com muitas patas de porco defumadas penduradas na parede. Tive que tirar uma foto! Agora o que tenho mesmo que tirar é esse site do ar! Onde já se viu cultuar presunto???

Bom, acho que isso é tudo, por enquanto. Na semana santa vou dar umas voltas pela Itália, mas isso é outra história. Por ora, queria terminar essa edição me socorrendo mais uma vez de uma frase que postei no meu facebook e que descreve o meu sentimento por Madrid: “Velàsquez El Bosco, El Greco, Picasso, Dali e Mirò foram meus anfitriões em Madrid. A cidade respira arte! Linda! Antiga! Original! Destaque também para Toledo, a cidade medieval que eu sempre vi nos meus sonhos, aqueles com muitos cavaleiros de armaduras de aço e de espadas em punho, a lutar pela vida e pela honra! Mais um capítulo de vida!”

Salud compañeros! Hasta pronto!

Elis

Leia esse texto e veja as fotos de Madrid em: http://diariodebordodaelis.blogspot.com/

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