Queridos amigos,
Sejam todos muito bem-vindos ao Diário de Bordo da Elis. Nesta edição trago um relato sobre as minhas aventuras na terra da Rainha. Se havia um lugar no velho continente que eu queria conhecer, esse lugar era Londres. Yes, Sir, Sonho realizado!
Cidade
Pra começar, dei muita sorte, porque peguei cinco dias de sol. Saí de Lisboa com chuva torrencial e cheguei em Londres com céu azul. É bem verdade que a temperatura se conservou próxima de zero, mas pelo menos as pessoas estavam alegres e a cidade colorida. Estamos no inverno e não se pode ter tudo né?
Com cerca de 8 milhões de habitantes, a cidade é absolutamente cosmopolita. Só para terem uma idéia, o metrô de Londres é a mais extensa rede ferroviária subterrânea do mundo. Andei por lá e também pela rede de ônibus várias vezes. Tudo muito bem sinalizado e eficiente, mas pra chegar a qualquer lugar é tão longe que não se gasta menos do que 40 minutos, sempre trocando de estação e também caminhando alguns trechos.
Apesar do tamanho, a cidade não é tão vertical e cinza como São Paulo. Mesmo na “City”, que é o centro tradicional da cidade, os prédios são baixos e antigos e a cidade acaba ficando muito charmosa. É claro que há regiões com prédios bem modernos, espelhados, com formas diferentes, como na região de Canary Wharf, mas em geral a cidade é muito mais clássica e histórica do que as nossas grandes metrópoles.
Confesso que o que mais me causou estranheza foi a mão inglesa. Nunca achei que fosse tão estranho ver os carros com volantes do lado direito e sempre rodando do lado esquerdo da pista. Parece que as coisas estão ao contrário. Mesmo como pedestre, custei a me acostumar a andar no passeio da esquerda pra pegar ônibus, táxi ou simplesmente pra ficar na contramão dos carros.
Pontos Turísticos
A London Tower é linda. Um verdadeiro castelo, com uma grande torre, às margens do rio Tamisa, que, aliás, banha a cidade. A fortificação, onde ficavam detidos e torturados os presos políticos e prisioneiros de guerra, fica ao lado da Tower Bridge, uma ponte lindíssima que liga as duas margens do rio e que é cartão postal de Londres.
Na região de Westminster visitei a Westminster Abbey, uma catedral imponente pelo seu tamanho. Ao lado fica o Big Ben, sede do Parlamento inglês. Confesso que essa cena ficou na minha mente como o lugar mais marcante de Londres. O Big Ben é mesmo um palacete enorme, muito dourado, com uma imensa torre e um grande relógio. Muito maior e mais bonito do que eu via nos filmes..eheheh
O Buckigham Palace, que é o palácio da Rainha, também é muito impressionante. Pra minha sorte quando passei por lá a bandeira real estava hasteada, o que é sinal de que a minha amiga Queen Elizabeth estava em casa. Pude presenciar o render dos sentinelas que guardam o palácio, numa marcha muito séria e ensaiada, que deixou entrever toda a formalidade e rigor do cerimonial que envolve a monarquia britânica.
A St Paul's Cathedral é a igreja matriz de Londres. É tão grande que ocupa um quarteirão inteiro e tem uma cúpula lindíssima. É tão famosa quanto cara. São dez libras só para conhecer por dentro. Por falar nisso, a libra (ou pounds, como se diz lá) tem a imagem da rainha estampada tanto nas notas quanto nas moedas: um retrato do poder narcisista da dona do pedaço.
Também andei na London Eye, a maior roda gigante do mundo, composta por dezenas de cabines de vidro que num movimento lento e constante permitem aos visitantes e mais linda e abrangente vista da cidade. Na entrada tinha um indiano com uma dessas cobras domesticadas. Tomei coragem e enrolei a minha velha amiga do Cerrado no pescoço. Auuuuu!!!!
Pessoas
Os ingleses me surpreenderam. São muito amáveis. Não se importam com o inglês errado dos turistas (tipo o meu, com sotaque mineirim..kkkk) e têm muito boa vontade em dar explicações. Chegam mesmo a abordar a gente nos lugares, pra puxar conversa. Achei fenomenal. É impressionante como são civilizados. Se esbarram de leve ao passar por você no ônibus, pedem desculpas. Nas ruas nem lixeiras têm, porque ninguém deixa o seu lixo no espaço público. Os parques são limpos e tem vários pela cidade, todos abertos, sem grades, bem cuidados, prontos para uma boa leitura ou um piquenique, que por sinal nada lembra a farofada do Brasil (nada contra a farinha, que aliás é a base do nosso tropeirão!kkkk)
Os espaços públicos são muito bem compartilhados por lá. É nos parques, nas escadas das igrejas, nos bancos das praças que os ingleses almoçam. O almoço em geral é um sanduíche bem completo, meio natureba. A culinária inglesa não é famosa por uma razão bem simples: não existe...kkkkk. De próprio gosto eles só comem “fish and chips”, mas sabem apreciar a culinária do mundo todo. Por lá eu comi comida turca e marroquina, além de provar algumas guloseimas de grandes redes que são comuns por lá como Starbucks, Pret-a-Manger e Ben´s Cookies.
Lugares
Na White Hall, uma avenida de grande movimento no centro da cidade, vê-se o belíssimo edifício que é a casa do primeiro ministro e mais à frente ficam sempre a postos dois guardas com o uniforme da Guarda Real montados em seus lindos cavalos negros, guardando os portões. Para mim que gosto de “autoridades”, foi cena de filme.
A Trafalgar Square é uma praça muito imponente, que abriga a National Gallery. Tive a oportunidade de entrar na galeria e ver os quadros com imagens dos reis e rainhas da Inglaterra, desde o século XV.
Caminhei pela Leicester Square, uma região de cinemas e teatros, famosa por sediar as mais importantes pré-estréias de filmes e musicais.
Depois conheci a região de Picadilly Circus, com o seu famoso edifício com publicidades neon gigantes da Coca Cola, da Samsung e outras marcas.
Não fiz muitas compras, pois além da libra ser muito cara, eu viajei apenas com bagagem de mão e não tinha onde trazer nada. De qualquer forma, comprei chá e toffels (caramelos) ingleses, além de um moletom e uma camisa oficial do Chelsea, um dos times mais famosos de lá. Para isso, tive o prazer de ir à Oxford Street, a rua de compras mais famosa de Londres, que cruza com a Regent Street, uma ampla avenida comercial cheia de edifícios imperiais e lojas luxuosas. Coisa de turista fascinado, mas que seja: acabo de proclamar o direito universal ao deslumbramento turístico do ser humano! kkkkkkkkkkkkk
Curiosidades
Os táxis são todos carros antigos e pretos e têm aquele vidro que separa o motorista dos passageiros. Eles usam uns microfones para falar conosco. Fino...e caro!
Toda esquina de Londres tem um relógio. Tem relógio nos prédios, nas torres, nos monumentos...Nunca vi gente tão pontual na minha vida.
As ruas são cheias de cabines de telefones vermelhas, como nos filmes, o que é um símbolo da cidade.
Nunca vi tanto turista junto. Dentre eles, os japoneses estão em grande número, mas tem gente do mundo todo. A cidade fica cheia de manhã, de tarde e de noite...aliás, durante toda a noite. Mesmo com as lojas fechadas, tem que se pedir licença aqui e ali para andar na rua durante a madrugada. A cidade é muito policiada e embora certamente tenha seus nichos de violência, não passa a sensação de insegurança aos turistas.
Os ingleses são mesmo apaixonados por futebol. Além do Chelsea e do Manchester, também há muitos torcedores fanáticos do Arsenal e do Liverpool. Os jogos são televisionados nos bares e na noite em que cheguei a Londres, a Inglaterra estava jogando com o Egito, num amistoso que terminou em 3 a 1 para os ingleses.
Oxford
Tive a oportunidade de passar o sábado em Oxford, uma típica cidade do interior da Inglaterra, a apenas 50 km de Londres. Oxford é famosa pela Universidade que leva o mesmo nome e que é uma das mais antigas do mundo, remontando ao século XI. Por lá também é tudo muito histórico e bonito. A Universidade é dividida em vários prédios espalhados por diferentes ruas. O edifício da biblioteca chama a atenção pela imponência. Fui ao museu de história natural de lá e fiquei impressionada com as ossadas e as reconstituições dos dinossauros. A cidade estava lotada de turistas e naquela tarde tinha um quarteirão fechado para a realização de um show, mas ao contrário dos tumultos que marcam esses eventos no Brasil, por lá estava tudo muito tranqüilo, com gente de todas as idades ao redor do palco, na maior civilidade.
Diversão
A região de Covent Garden também é muito agradável. O Covent Garden Market é uma feira coberta com lojinhas que vendem várias coisas.
E por falar em feira, Camden Town é a zona mais louca de Londres. Por lá se vê todo tipo de cultura, de indianos a punks, com muitas cores nas lojas e com uma profusão de comidas, roupas, músicas e estilos espalhados pela feira, que ocupa várias ruas. Fomos a um bar cubano fantástico, tomar a deliciosa cerveja irlandesa Guiness, enquanto ouvíamos La Bamba ao vivo com uma dupla fantástica e víamos na parede uma foto do Che. Muito divertido!!
Outro lugar fenomenal é o museu de Cera da Madame Tousseaud. Os bonecos de cera são assustadoramente reais, com cabelos de verdade e olhos muito vivos. Estão lá desde as celebridades de Hollywood, até desportistas famosos e líderes mundiais. Tirei fotos com vários deles, inclusive com a família real britânica e com o Obama..rsrsr... Brasileiro só vi por lá o nosso Pelé, mas deram uma força pro Rei, que tá com feições bem novinhas.
Por fim,não podia deixar de conhecer os famosos pubs ingleses. Conheci dois, bem diferentes. O Dalston Super Store é um pub bem legítimo, sem turistas, com um ambiente de bar e uma pista de dança com música eletrônica. Tinha pessoas de todos os estilos, muitos gays, cabelos com cortes muitos loucos, mulheres com saias muito curtas, muitos piercings, roupas muito exóticas e mal combinadas. Tudo muito fashion. Uma experiência antropológica.
Já o outro pub que conheci tem inspiração brasileira e se chama “Favela Chic”. Estava lotado e misturava elementos latino-americanos com umas mixagens de músicas. De Brasil não tinha quase nada, a não ser uma música do Seu Jorge, que tocou num determinado momento. Lá o clima era mais pesado e as pessoas estavam mais exaltadas (e bêbadas!). Mesmo assim não teve briga nem nada demais. Experiência única também porque de favela aquela povo não entende nada....esse é o famoso Brazil com Z, que só existe pra inglês ver!!!
Sei que me alonguei em demasia nesta edição, mas sonho é sonho e sua realização não pode virar história sem a devida riqueza de detalhes. Queira agradecer de coração ao Bernardo, meu amigo de doutorado que viajou comigo e me apresentou ao Xande, à Isis, à Laura, ao Soheib e à pequena Isra, pessoas maravilhosas que nos receberam e proporcionaram momentos inesquecíveis. São os amigos que a gente encontra pelo mundo e que nos mostram como a vida pode ser rica em experiências, em momentos e em afeição sincera! Um brinde ao destino e às pessoas que fazem a hora e não esperam acontecer!
London, forever in my mind!
See you
Elis
PS: sábado embarco pra Madrid. Hacia la capital española!!!
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